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Esses são alguns papéis e histórias sobre as pessoas, seres e fatos da Dimensão XCIII - 93 - na época do brilho de Capela, durante a repacificação das nações, segundo os Brorentins. Como esses dados chegaram a eles ninguém sabe ou saberá.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
A história mudou um pouco. Mas, claro, o que saiu por último fica como o mais perto do definitivo. A partir de agora vou mudar o texto neste mesmo post.
Cordialmente,
Brito
Das aventuras do hobbit Greevie e do elfo Griltohen
A Hodínie perdida
I
Dizem por aí que a Dimensão XCIII é um atoleiro. Não é verdade. Ela é um encalhadouro. Portanto não é um desses lugares que vão contra todas as probabilidades porque, por ser tão simples, é perfeitamente possível e provável que existe, ainda mais porque dispensa o glamour, todas aquelas semanas de preparação e o tapete vermelho. Ela fica em uma curva muito acentuada perfeitamente normal do universo multidimensional, onde todo tipo de coisa acaba parando e, em seguida, bem, acontecendo. E estas coisas chegaram até nós como nos contaram os Brorentins - a respeito de quem ninguém sabe nada, a não ser que talvez tenham seis dedos nas mãos. Mas tudo tem de começar do princípio.
E no princípio eram os hoddínies. Durante um período bastante longo foram só eles. Uma hora, era de se esperar, eles acabaram ficando cansados de tudo isso - mesmo que o conceito de "tudo" não seja o melhor para esse caso - e resolveram agitar um pouco as coisas. Há muito tempo grande parte do que se pensa, faz, realiza, acontece pode ser separado em um lado bom e um lado mal. Os hoddínies, na Dimensão XCIII - não foram eles que deram esse nome, até porque, por sua própria definição e posição no ranking das dimensões, a XCIII não teria ess número tão avançado, mas isso será discutido depois - eles eram o que havia de bom. Com o passar do tempo, a forma como agiam foi padronizada como o correto, as coisas que faziam foram sendo copiadas e todos princípios e valores - eles tampouco usavam essas palavras - que praticavam, foram se toranando o que chamou-se, posteriormente, de virtudes.
Se, no entanto, há bem, há mal também. Esse fato, ao contrário do que parece, não é algo ruim. Na verdade, é como a sobremesa gostosa depois da salada sem graça. Ou ainda a bonança e a tempestade, a parede e o rio de chocolate - mas voltemos ao assunto. Os hoddínies eram o bom, não há dúvida disso, mas outras coisas eram o mau. Mas as rodas do Tempo na época ainda estavam muito frescas, e, apesar de terem sido recentemente revisadas e estarem devidamente engraxadas, ainda rodavam devagar e distraídas - e distraídos estavam os hoddínies, bons, do que não era hoddínie e e, portanto, mau. Neste momento, então, os hoddínies olharam para suas mãos e perceberam que poderiam fazer coisas com elas. Por muito tempo, eles fizeram formas com as sombras das mãos e até fizeram carinho uns nos outros, na cabeça, na nuca e, bom, eles perceberam que poderiam fazer mais coisas ainda com as mãos se eles tivessem com o que fazê-lo.
No princípio eram os hoddínies e mais nada, tudo muito branco, insosso - porque nem o sal era. E os hoddínies inventaram coisas. Alquimistas e estudiosos dizem que foi o hidrogênio - alguns mais intrépidos ousam afirmar que era o hidrogênio antes do gás e que dessa coisa-primordial surgiram todas as outras por combinação. Há evidências para isso, mas segundo o relato dos Brorentins, depois da coisa-primordial, os hoddínies fizeram toda sorte de coisas com que pudessem trabalhar e, principalmente, se divertir.
Cordialmente,
Brito
Das aventuras do hobbit Greevie e do elfo Griltohen
A Hodínie perdida
I
Dizem por aí que a Dimensão XCIII é um atoleiro. Não é verdade. Ela é um encalhadouro. Portanto não é um desses lugares que vão contra todas as probabilidades porque, por ser tão simples, é perfeitamente possível e provável que existe, ainda mais porque dispensa o glamour, todas aquelas semanas de preparação e o tapete vermelho. Ela fica em uma curva muito acentuada perfeitamente normal do universo multidimensional, onde todo tipo de coisa acaba parando e, em seguida, bem, acontecendo. E estas coisas chegaram até nós como nos contaram os Brorentins - a respeito de quem ninguém sabe nada, a não ser que talvez tenham seis dedos nas mãos. Mas tudo tem de começar do princípio.
E no princípio eram os hoddínies. Durante um período bastante longo foram só eles. Uma hora, era de se esperar, eles acabaram ficando cansados de tudo isso - mesmo que o conceito de "tudo" não seja o melhor para esse caso - e resolveram agitar um pouco as coisas. Há muito tempo grande parte do que se pensa, faz, realiza, acontece pode ser separado em um lado bom e um lado mal. Os hoddínies, na Dimensão XCIII - não foram eles que deram esse nome, até porque, por sua própria definição e posição no ranking das dimensões, a XCIII não teria ess número tão avançado, mas isso será discutido depois - eles eram o que havia de bom. Com o passar do tempo, a forma como agiam foi padronizada como o correto, as coisas que faziam foram sendo copiadas e todos princípios e valores - eles tampouco usavam essas palavras - que praticavam, foram se toranando o que chamou-se, posteriormente, de virtudes.
Se, no entanto, há bem, há mal também. Esse fato, ao contrário do que parece, não é algo ruim. Na verdade, é como a sobremesa gostosa depois da salada sem graça. Ou ainda a bonança e a tempestade, a parede e o rio de chocolate - mas voltemos ao assunto. Os hoddínies eram o bom, não há dúvida disso, mas outras coisas eram o mau. Mas as rodas do Tempo na época ainda estavam muito frescas, e, apesar de terem sido recentemente revisadas e estarem devidamente engraxadas, ainda rodavam devagar e distraídas - e distraídos estavam os hoddínies, bons, do que não era hoddínie e e, portanto, mau. Neste momento, então, os hoddínies olharam para suas mãos e perceberam que poderiam fazer coisas com elas. Por muito tempo, eles fizeram formas com as sombras das mãos e até fizeram carinho uns nos outros, na cabeça, na nuca e, bom, eles perceberam que poderiam fazer mais coisas ainda com as mãos se eles tivessem com o que fazê-lo.
No princípio eram os hoddínies e mais nada, tudo muito branco, insosso - porque nem o sal era. E os hoddínies inventaram coisas. Alquimistas e estudiosos dizem que foi o hidrogênio - alguns mais intrépidos ousam afirmar que era o hidrogênio antes do gás e que dessa coisa-primordial surgiram todas as outras por combinação. Há evidências para isso, mas segundo o relato dos Brorentins, depois da coisa-primordial, os hoddínies fizeram toda sorte de coisas com que pudessem trabalhar e, principalmente, se divertir.
domingo, maio 07, 2006
Dos escritos do hobbit Hollygreevie Bookins
Dos escritos do hobbit Hollygreevie Bookins, Greevie
Sabe qual a medida de volume que os anões usavam? Histórias dizem que foram os ogros que a inventaram, porém todos sabemos que os ogros são incapazes. Acredito que haja uma confusão quando dizem que foram os ogros que inventaram essa medida, porque foi inventada há muito tempo atrás, nos gloriosos tempos em que anões e ogros se davam bem e eram considerados povos amigos (depois que os ogros foram corrompidos pela escuridão, os dois povos nunca mais se bicaram). Acho que por isso que atribuem a invensão da medida aos ogros, ou pelo menos confundem, devido à época de esplendor dos ogros vivida ao lado dos anões.Mas isso não vem ao caso. O que digo é, a medida foi inventada pelos anões, que são os legítimos criadores da Malt, pois só nas profundezas das cavernas se obtem a qualidade da mais pura e legítima Malt, daí vem toda a cultura anõica, o deus Malt montado no seu divino Barril D'ouro, e outras divindades ligadas ao Malt.Sou um hobbit fuçado e descobri, sem muita dificuldade, a medida de volume que, conforme eles dizem, é a mais precisa de toda dimensão XCIII e que nós somos incapazes de compreender... Enfim, sem mais blá blá blá, a medida é o gole. Mil goles equivalem a um barril. Preciso pesquisar o qto vale mil barris.
Sabe qual a medida de volume que os anões usavam? Histórias dizem que foram os ogros que a inventaram, porém todos sabemos que os ogros são incapazes. Acredito que haja uma confusão quando dizem que foram os ogros que inventaram essa medida, porque foi inventada há muito tempo atrás, nos gloriosos tempos em que anões e ogros se davam bem e eram considerados povos amigos (depois que os ogros foram corrompidos pela escuridão, os dois povos nunca mais se bicaram). Acho que por isso que atribuem a invensão da medida aos ogros, ou pelo menos confundem, devido à época de esplendor dos ogros vivida ao lado dos anões.Mas isso não vem ao caso. O que digo é, a medida foi inventada pelos anões, que são os legítimos criadores da Malt, pois só nas profundezas das cavernas se obtem a qualidade da mais pura e legítima Malt, daí vem toda a cultura anõica, o deus Malt montado no seu divino Barril D'ouro, e outras divindades ligadas ao Malt.Sou um hobbit fuçado e descobri, sem muita dificuldade, a medida de volume que, conforme eles dizem, é a mais precisa de toda dimensão XCIII e que nós somos incapazes de compreender... Enfim, sem mais blá blá blá, a medida é o gole. Mil goles equivalem a um barril. Preciso pesquisar o qto vale mil barris.
terça-feira, fevereiro 24, 2004
Pabator
Quebro um pouco a seqüência para colocar essa pequena nota que explica um pouco mais sobre os papéis e histórias de XCIII
Um certo camarada, chamado Pabat, certa vez, subiu em uma montanha famosa. Perto do topo havia um ninho com um ovo azul. Não se sabe a que cargas d'água esse ovo ficou conhecido como Ovo da Águia Azul e tornou-se uma relíquia em Pabator, o reino que Pabat fundou depois que desceu do monte.
O reino cresceu e encheu-se de gente e de criaturas de todos os tipo; entretanto, depois da ascensão vem sempre a queda, e, partindo dali pra sempre, o Último-rei deixou com um certo fazendeiro o Ovo.
O fazendeiro partiu também, e deixou sua fazenda e seu filho aos cuidados dum anão. Capodin era seu nome, e ele recebeu também o tal Ovo.
Mas o que parecia ser um Ovo de Águia Azul não era mais que um ovo de galináceo: nasceu dele Ígol Ais.
Ígol pouco cresceu, já se tornou líder no seu canto, o Galinheiro.
Imagine um lugar onde ocorra concentração de todo tipo de gente, uma espelunca freqüentada pela massa e pela elite também. Ígol montou e controlava um equipado bar no salão, e controlava também de lá o Galinheiro inteiro. Ora, o Galinheiro fazia parte da fazenda do anão Capodin, mas pocuos sabiam disso. Nos quinhentos ou seiscentos metros de uma cerca a outra, circundando o grande salão, quem mandava realmente era Ígol. E assim ele cresceu em influência e popularidade.
Um certo camarada, chamado Pabat, certa vez, subiu em uma montanha famosa. Perto do topo havia um ninho com um ovo azul. Não se sabe a que cargas d'água esse ovo ficou conhecido como Ovo da Águia Azul e tornou-se uma relíquia em Pabator, o reino que Pabat fundou depois que desceu do monte.
O reino cresceu e encheu-se de gente e de criaturas de todos os tipo; entretanto, depois da ascensão vem sempre a queda, e, partindo dali pra sempre, o Último-rei deixou com um certo fazendeiro o Ovo.
O fazendeiro partiu também, e deixou sua fazenda e seu filho aos cuidados dum anão. Capodin era seu nome, e ele recebeu também o tal Ovo.
Mas o que parecia ser um Ovo de Águia Azul não era mais que um ovo de galináceo: nasceu dele Ígol Ais.
Ígol pouco cresceu, já se tornou líder no seu canto, o Galinheiro.
Imagine um lugar onde ocorra concentração de todo tipo de gente, uma espelunca freqüentada pela massa e pela elite também. Ígol montou e controlava um equipado bar no salão, e controlava também de lá o Galinheiro inteiro. Ora, o Galinheiro fazia parte da fazenda do anão Capodin, mas pocuos sabiam disso. Nos quinhentos ou seiscentos metros de uma cerca a outra, circundando o grande salão, quem mandava realmente era Ígol. E assim ele cresceu em influência e popularidade.
domingo, outubro 12, 2003
A Busca da Hoddíne Perdida e d'O Artefato II
Griltohen bateu em cada galho antes de se estatelar sonoramente no chão, aos pés peludos de Greevie e de Fredo.
- Agh! - Foi só o que disse. Os hobbits o olharam assustados. Rapidamente o elfo se levantou e sorriu - Boa tarde, pequeninos!
Os hobbits se curvaram numa grande reverência respeitosa que tentava sem sucesso esconder o espanto - espanto, não medo - que os acometeu de repente.
- Muito boa tarde, caro elfo, feliz seja você! Muito prazer tem a minha pessoa, Godofredo...
- Ah, não precisam se apresentar - interrompeu-o Griltohen - eu já os conheço. Achavam mesmo que eu não os via enquanto violavam meu espaço?! Ora!
- Você nos via? - Perguntou Greevie, com os olhos esbugalhados. - Sabia das excursões?
Fredo não achou bom que o primo dissesse aquilo, poderia os meter em problemas. Ainda achava que o elfo só os descobrira aquela tarde.
- Que excursões, primo? - Emendou, rapidamente - Nossos passeios pela borda, você fala? - E cutucouo primo com o cotovelo. Greevie pareceu compreender. - Nós já sabíamos, já sabíamos da sua presença - apontou para o elfo - lá em cima, não é primo? - E cutucou Greevie de novo.
Ele assentiu com um aceno de cabeça, os cachos castanhos balançaram. Griltohen percebeu a pequena farsa que eles estavam tentando representar.
- Sei - fingiu o elfo. - Não se preocupem, de qualquer forma. Podem ficar sossegados, não os farei mal; foi-me pedido, inclusive que os leve por um pequeno passeio pela Floresta. E, ah!, quase me esquecia, eu vi todas suas "excursões" ou "passeios pela borda", como queiram.
Fredo e Greevie ficaram, por um instante, estarrecidos. A confiança e segurança que sentiram na voz do elfo os deixaram um tanto confiantes e seguros, além de calmos e curiosos, entretanto. Yob, o próprio Yob, o meio-hobbit dono do Sítio e tutor de todos que viviam nas suas terras, já conversara com Griltohen sobre as excursões. Os hobbits ficaram quietos, apreensivos, como um pequeno animal que não sabe se o que acha que é comida é saboroso ou vai atacá-lo.
- É uma honra muito grande conhever-te, caro elfo, de nome... - Começou Greevie. Era só o que poderia dizer. A cordialidade é peculiar aos hobbits nos momentos mais estranhos.
- Griltohen, filho de Hosen e Celehil, a antiga Senhora dessas matas.
- ...Griltohen.
- Também me apraz conhecer vocês, mas não se confundam: Honra é uma arma cruel; é um sentimento traidor que leva as pessoas a agirem não por si mesmas ou por seus princípios, mas pelos outros, em uma ilusão. - Griltohen discursava com a típica arrogância élfica - Não creio que a palavra que busquem seja essa, no caso. Para mim, Honestidade vale mais que qualquer honra. Nem todo mundo, entretanto, está totalmente errado quando a usa, mas, ao meu pobre ver élfico, há coisas que precisam ser melhor esclarecidas, não?
Durante o pequeno sermão os hobbits haviam quedado boquiabertos, a observar o elfo muito mais alto que eles, no meio da mata sombreada sob o canto suave dos pássaros.
- C-c-claro... - Tentaram. O elfo arreganhou os dentes.
- Não se espantem, não é típico alguém ouvir um sermão de um elfo logo na primeira vez que o encontram. É uma honra para mim também.
Os dois hobbits sorriram de volta.
Griltohen os conduziu por trilhas escondidas na Floresta até onde ficavam as casas dos elfos, ou o que quer que fossem, porque os pequenos hobbits não sabiam ainda como se chamavam. Eram andaimes grandiosos no alto das copas, escondidos sutilmente, misturando-se à vegetação. Havia também casas no chão, construções habilidosas que não passariam de arbustos a quem as visse sem a devida atenção, pensaram os hobbits. De fato, se Griltohen não os indicasse a presença dos abrigos térreos, eles nunca os veriam.
Era bonito. Uma grande paz reinava por todo espaço, mas os hobbits não viram nenhum outro elfo. A curiosidade sobre todos os mistérios que aquela cidade podia abrigar crescia em seus corações em um ritmo acelerado pelas explicações apenas ilustrativas proporcionadas por Griltohen. Ninguém acreditaria nisso. Até as casas dos elfos! Seriam histórias para dezenas e dezenas de gerações!
Bom, nem toda essa empolgação - hsitórias para dezenas e dezenas de gerções - chegava perto de todos os perigos que os dois passariam em pouco tempo na companhia de seu novo amigo - alto, loiro, de roupas esverdeadas, que gostava de falar um monte de coisas que faziam um sentido estranho e obscuro, nas quais acreditavam mais por espanto do que por uma reflexão mais profunda - , mas eles não sabiam disso. Por enquanto bastava a possibilidade de causar inveja nos outros jovens hobbits do Sítio, deixar a prima Pólina brava com a audácia que eles tiveram - "Vocês estão loucos?! Vocês ficaram malucos?! Poderiam ter se perdido ou terem sido atacados por alguma fera desconhecida!" Mal sabia ela que na Floresta não há feras - a aura de paz dos elfos acaba tornando as mansas como esquilos ou espantando-as - e que ninguém se perde naqueles bosques, porque todos os caminhos levam de volta ao lugar por onde você entrou. Só importava que a prima Pólina ficaria nervosa e eles ririam muito.
Talvez um tenha lido o pensamento do outro, porque os dois abriam largos sorrisos, como se fossem heróis.
Gostaria que me dissessem qual tamanho de capítulo é melhor, esse ou o passado.
- Agh! - Foi só o que disse. Os hobbits o olharam assustados. Rapidamente o elfo se levantou e sorriu - Boa tarde, pequeninos!
Os hobbits se curvaram numa grande reverência respeitosa que tentava sem sucesso esconder o espanto - espanto, não medo - que os acometeu de repente.
- Muito boa tarde, caro elfo, feliz seja você! Muito prazer tem a minha pessoa, Godofredo...
- Ah, não precisam se apresentar - interrompeu-o Griltohen - eu já os conheço. Achavam mesmo que eu não os via enquanto violavam meu espaço?! Ora!
- Você nos via? - Perguntou Greevie, com os olhos esbugalhados. - Sabia das excursões?
Fredo não achou bom que o primo dissesse aquilo, poderia os meter em problemas. Ainda achava que o elfo só os descobrira aquela tarde.
- Que excursões, primo? - Emendou, rapidamente - Nossos passeios pela borda, você fala? - E cutucouo primo com o cotovelo. Greevie pareceu compreender. - Nós já sabíamos, já sabíamos da sua presença - apontou para o elfo - lá em cima, não é primo? - E cutucou Greevie de novo.
Ele assentiu com um aceno de cabeça, os cachos castanhos balançaram. Griltohen percebeu a pequena farsa que eles estavam tentando representar.
- Sei - fingiu o elfo. - Não se preocupem, de qualquer forma. Podem ficar sossegados, não os farei mal; foi-me pedido, inclusive que os leve por um pequeno passeio pela Floresta. E, ah!, quase me esquecia, eu vi todas suas "excursões" ou "passeios pela borda", como queiram.
Fredo e Greevie ficaram, por um instante, estarrecidos. A confiança e segurança que sentiram na voz do elfo os deixaram um tanto confiantes e seguros, além de calmos e curiosos, entretanto. Yob, o próprio Yob, o meio-hobbit dono do Sítio e tutor de todos que viviam nas suas terras, já conversara com Griltohen sobre as excursões. Os hobbits ficaram quietos, apreensivos, como um pequeno animal que não sabe se o que acha que é comida é saboroso ou vai atacá-lo.
- É uma honra muito grande conhever-te, caro elfo, de nome... - Começou Greevie. Era só o que poderia dizer. A cordialidade é peculiar aos hobbits nos momentos mais estranhos.
- Griltohen, filho de Hosen e Celehil, a antiga Senhora dessas matas.
- ...Griltohen.
- Também me apraz conhecer vocês, mas não se confundam: Honra é uma arma cruel; é um sentimento traidor que leva as pessoas a agirem não por si mesmas ou por seus princípios, mas pelos outros, em uma ilusão. - Griltohen discursava com a típica arrogância élfica - Não creio que a palavra que busquem seja essa, no caso. Para mim, Honestidade vale mais que qualquer honra. Nem todo mundo, entretanto, está totalmente errado quando a usa, mas, ao meu pobre ver élfico, há coisas que precisam ser melhor esclarecidas, não?
Durante o pequeno sermão os hobbits haviam quedado boquiabertos, a observar o elfo muito mais alto que eles, no meio da mata sombreada sob o canto suave dos pássaros.
- C-c-claro... - Tentaram. O elfo arreganhou os dentes.
- Não se espantem, não é típico alguém ouvir um sermão de um elfo logo na primeira vez que o encontram. É uma honra para mim também.
Os dois hobbits sorriram de volta.
***
Griltohen os conduziu por trilhas escondidas na Floresta até onde ficavam as casas dos elfos, ou o que quer que fossem, porque os pequenos hobbits não sabiam ainda como se chamavam. Eram andaimes grandiosos no alto das copas, escondidos sutilmente, misturando-se à vegetação. Havia também casas no chão, construções habilidosas que não passariam de arbustos a quem as visse sem a devida atenção, pensaram os hobbits. De fato, se Griltohen não os indicasse a presença dos abrigos térreos, eles nunca os veriam.
Era bonito. Uma grande paz reinava por todo espaço, mas os hobbits não viram nenhum outro elfo. A curiosidade sobre todos os mistérios que aquela cidade podia abrigar crescia em seus corações em um ritmo acelerado pelas explicações apenas ilustrativas proporcionadas por Griltohen. Ninguém acreditaria nisso. Até as casas dos elfos! Seriam histórias para dezenas e dezenas de gerações!
Bom, nem toda essa empolgação - hsitórias para dezenas e dezenas de gerções - chegava perto de todos os perigos que os dois passariam em pouco tempo na companhia de seu novo amigo - alto, loiro, de roupas esverdeadas, que gostava de falar um monte de coisas que faziam um sentido estranho e obscuro, nas quais acreditavam mais por espanto do que por uma reflexão mais profunda - , mas eles não sabiam disso. Por enquanto bastava a possibilidade de causar inveja nos outros jovens hobbits do Sítio, deixar a prima Pólina brava com a audácia que eles tiveram - "Vocês estão loucos?! Vocês ficaram malucos?! Poderiam ter se perdido ou terem sido atacados por alguma fera desconhecida!" Mal sabia ela que na Floresta não há feras - a aura de paz dos elfos acaba tornando as mansas como esquilos ou espantando-as - e que ninguém se perde naqueles bosques, porque todos os caminhos levam de volta ao lugar por onde você entrou. Só importava que a prima Pólina ficaria nervosa e eles ririam muito.
Talvez um tenha lido o pensamento do outro, porque os dois abriam largos sorrisos, como se fossem heróis.
Gostaria que me dissessem qual tamanho de capítulo é melhor, esse ou o passado.
sábado, outubro 04, 2003
A Busca da Hoddíne Perdida e d'O Artefato, e outras estorias
No meio da floresta andavam dois primos hobbits. Hollygreevald Búquins, o Greevie, e Godofredo Rodeiro, Fredo, - eles nasceram no mesmo dia de uns 30 e poucos verões anteriores - caminhavam cautelosos sob as aconchegantes sombras tremulantes das frondosas árvores, afinal, estavam na Floresta dos Elfos, tão bela quanto desconhecida, não só por eles, mas também por todas outras pessoas que moravam no Sítio de Yob e arredores - no Galinheiro mais ao sul, em Montagna dos anões, e em terras mais além.
-Tudo que sei é que Dítil comanda as coisas por lá - dizia Yob em sua sabedoria; Greevy lembrou-se disso e quase tremeu. Yob sempre os advertia "Não entrem na floresta", mas ainda assim, ele e Fredo entravam. Greevie dividiu seu receio com o primo:
-Primo - eles andavam silenciosamente, à maneira dos hobbits e a paisagem mudava puco. Não viam animais ou seres, nenhum elfo, só o cantarolar das aves -, porque Yob teme tanto que entremos aqui?
-Não há motivo aparente, mas também não há o que temer dos elfos, primo, nem da floresta encantada...
-É verdade, o próprio Yob conversa com elfos, e é um bebedor-de-cerveja-c'os-elfos como dizem os mais velhos!
-Sim... E se os elfos saem, porque não haveríamos nós, hobbits astutos e audazes, de entrar?
-Tudo que sei é que Dítil comanda as coisas por lá - dizia Yob em sua sabedoria; Greevy lembrou-se disso e quase tremeu. Yob sempre os advertia "Não entrem na floresta", mas ainda assim, ele e Fredo entravam. Greevie dividiu seu receio com o primo:
-Primo - eles andavam silenciosamente, à maneira dos hobbits e a paisagem mudava puco. Não viam animais ou seres, nenhum elfo, só o cantarolar das aves -, porque Yob teme tanto que entremos aqui?
-Não há motivo aparente, mas também não há o que temer dos elfos, primo, nem da floresta encantada...
-É verdade, o próprio Yob conversa com elfos, e é um bebedor-de-cerveja-c'os-elfos como dizem os mais velhos!
-Sim... E se os elfos saem, porque não haveríamos nós, hobbits astutos e audazes, de entrar?
***
Eram de fato hobbits astutos e audazes, além de brulhentos, pensou Griltohen, o elfo, no topo da árvore. Ele os via lá em baixo. Não era um elfo velho - tal qual não eram velhos Greevie e Fredo, guardadas as devidas proporções. Porém carregava grande responsabilidade na Floresta. Designado por usa mãe, Celehil, antiga Senhora, e Dítil, seu sucessor dela, para guardar e vigiar a floresta e os seus três maiores tesouros nas mãos de três graciosas donzelas.
Os invasores eram seu problema.
Na sua ingenuidade, os dois pequenos hobbits não imaginavam as conseqüências de suas excursões - que acreditavam vigorosamente serem secretas. Nada atinavam, então, que nada passa desapercebido pela Floresta - ou nada deveria, mas isso é outro ponto - ou pelos elfos, que rapidamente informaram Yob. Os pequenos julgavam-se tremendos desbravadores e de certa fora até o eram pois já chegaram muito perto de onde se encontravam as casas dos elfos, em uma trilha muito sutilmente marcada com pequenas pedras. Mas, no fim, por mais que também se julgassem secretos, não eram: Griltohen em sua vigilância os vira desde o primeiro pé peludo que puseram na orla na primeira vez que entraram nessas excursões.
O elfo ajeitou-se, pularia para a próxima árvore a fim de continuar a seguir os hobbits, um salto fácil, ainda mais se tratando de um elfo.
Não naqueles dias. Ele não coseguiu agarrar-se ao outro galho e despencou.
***
Esse é o começo de uma longa histórias, a da Hoddíne Perdida e sua busca, que contarei por partes. Não tive tempo hoje de rever o texto; de qualquer forma podem haver modificações na história, sendo que elas, e quaisquer outras dúvidas ou questões serão deviademente expicadas e respondidas, seja por mim, seja pelo Virgilio, ou ainda por notas adjacentes ao texto aqui publicado. Espero colocar em breve um resumo geral, já publicado há muito tempo em Galinhópolis Urgente, que traça as linhas gerais da Dimensão XCIII, e principalmente do Sítio de Yob e arredores, e da busca.
domingo, setembro 28, 2003
Esse é o XCIII. Aqui vão ser publicadas inéditas histórias sobre os acontecimentos na Dimensão XCIII. Vocês vão gostar, eu espero.